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domingo, 15 de abril de 2012

Memorial da América Latina

Exposição "Guerra e Paz"

Na exposição de Cândido Portinari, os quadros expostos, representam vários tipos de situações que nos fazem lembrar do que vivemos hoje.

Guerra e Paz

Há o bem e o mal e numa forma clara de representar esses conceitos surgiu o "Projeto Guerra e Paz". Portinari apresenta dois painéis para que as pessoas vissem separados os dois lados. Após isso numa ideia genial, juntou os dois, criando um embate entre os conceitos mais questionados do mundo.
Ele descreve nos painéis a junção de vários sentimentos, como dor, tristeza, perda e a destruição. Tentando assemelhar-se a algo bíblico ele acrescentou a imagem dos quatro cavaleiros  como uma forma de representar o apocalipse fazendo-os pedir o final do horror ali existente.


Esses sentimentos são passados para nós a partir do jeito em que as mulheres foram retratadas. Algumas delas com as mãos no rosto como se estivessem chorando, outras com os filhos mortos nos braços e a maioria com os braços estendidos para o Céu como se estivessem pedindo a salvação.
Outro aspecto que pode ser notado é que no Painel Guerra há uma predominância de cores fortes e escuras, que nos remete a ideia da junção dos piores sentimentos que assombram o homem.


Já o Painel Paz, a representação é o oposto. Nesse painel ele representa a junção de alegria, harmonia... Uma espécie de alívio e esperança. Vários exemplos disso são como o coral de crianças cantando, algumas brincando no balanço, outras dançando. Tudo para realçar o conceito que o próprio Portinari descreve de eterna infância. Outra característica importante é a tonalidade das cores que agora são mais claras e suaves, em relação ao da Guerra.


Após sua morte, sua arte não foi esquecida e o Projeto Guerra e Paz depois de anos de sua conclusão passou por pequenas restaurações. Uma curiosidade: o Painel Guerra sofreu vários reparos já o Paz quase não foi restaurado. Seria isso apenas uma simples coincidência do destino? Ou não?







quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Aprendimentos


O filósofo Kiekegaard me ensinou que cultura é o caminho que o homem percorre para se conhecer.

Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim falou que só sabia que não sabia nada.Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas di-menor com a natureza.



Aprendeu que as folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes. Disse que fosse ele um caracol vejetado sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente aprender o idioma que as rãs falam com as águas e ia conversar com as rãs.

E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros do mundo pelo coração de seus cantos.Estudara nos livros demais.


 Porém aprendia melhor no ver, no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar. Chegou por vezes de alcançar o sotaque das suas origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!


Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles - esse pessoal. Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que achava para renovar sua poesia.



Os mestres pregavam que o fascínio poético vem das raízes da fala.
Sócrates falava que as expressões mais eróticas são donzelas. E que a Beleza se explica melhor por não haver razão nenhuma nela. O que de mais eu sei sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.




Memórias Inventadas - Manoel de Barros, 2008




sábado, 26 de novembro de 2011

Um olhar



Eu tive uma namorada que via errado. O que ela via não era uma garça na beira do rio. O que ela via era um rio na beira de uma garça. Ela despraticava as normas. Dizia que seu avesso era mais visível do que um poste.




Com ela as coisas tinham que mudar de comportamento. Aliás, a moça me contou uma vez que tinha encontros diários com as suas contradições. Acho que essa frequência nos desencontros ajudava o seu olhar oblíquo.


Falou por acréscimo que ela não contemplava as paisagens. Que eram as paisagens que a contemplavam. Chegou de ir no oculista. Não era um defeito físico falou o diagnóstico. Induziu que poderia ser uma disfunção da alma.


Mas ela falou que a ciência não têm lógica. Porque viver não tem lógica - como diria a nossa Lispector.

Veja isto: Rimbaud botou a Beleza nos joelhos e viu que Beleza é amarga. Tem lógica? Também ela quis trocar por duas andorinhas os urubus que avoavam no Ocaso de seu avô. O Ocaso de seu avô tinha virado uma praga de urubu. Ela queria trocar porque as andorinhas eram amoráveis e os urubus eram carniceiros. Ela não tinha certeza se essa troca podia ser feita. O pai falou que verbalmente podia. Que era só despraticar as normas. Achei certo.



Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros/iluminuras de Martha Barros. - São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008.página 103.

Manoel de Barros

sábado, 29 de outubro de 2011

Como fazer a arte ser arte?

Para que a arte seja arte, ela deve ser algo inusitado, de aparência única, que nesses casos dependem da originalidade do artista.

Tudo isso se remete ao fim lógico que é de transmitir uma mensagem ou fazer uma denúncia como forma de protesto sobre qualquer assunto que possa ser abordado.


Para entender tais obras, não precisa só olhar indiferentemente, mas sim questionar, pesquisar e prestar muita atenção no que está vendo.


O artista Damien Hirst nos mostra que arte que é arte pode ser feita com qualquer material.


Uma vaca e um bezerro empalhados, exemplo claro que para ser arte, as coisas mais "simples" tem valor superior ou igual às grandes obras.


O foco da situação da exposição, talvez  nos remeta a pensar no meio ambiente.  Que surpreende o ego do observador, começando a oscilar por sua vez.


Não como obra de arte de matéria e significado, mas sim um pólo aquém e um pólo além dos limites de seu ego.



Com tudo isso faz com que quem observa entre em um círculo vicioso e infinito.



Que cada um tem que descobrir por sí próprio.


Gisele Cristina Marin
Exposição EM NOME DOS ARTISTAS
Parque Ipirapuera - Portão 3
30 de setembro - 4 de dezembro de 2011
Terça a domingo: 9 às 19H
Ingressos: R$ 20,00 -
Meia-entrada: R$ 10,00
GRÁTIS AOS DOMINGOS

domingo, 4 de setembro de 2011

Fenêtre

Penso que um dos objetos mais maravilhosos criado pelo homem tenha sido a janela...


É muito gratificante ouvir o som do Sol penetrando pelas frestas nas manhãs de domingo...



Sentir o cheiro de claridade...


Pensar em mulheres do interior debruçadas nos batentes observando o exterior...


Ver passar pelas ruas o tempo, sentir o espaço...


Penso que este objeto nos remete a provar novas experiências...


Abri-lo é poder se encantar com o desconhecido...



As cortinas que dançam lentamente nos finais de tarde nos traz o cheiro de café de minha infância



Que quando não mais criança eu pulava por este vão que me dava de mão beijada o mundo...



Proponho!


Devíamos todos dormir com as janelas abertas, talvez os segredos se perderiam, talvez nos tornássemos mais íntimos, talvez mais próximos, enfim...


Talvez mais amigos.

Francisco Beltrão